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ENDURO EQÜESTRE
No Brasil,
foi a cidade paulista de Tremembé quem inaugurou a prática oficial no
ano de 1989, com Maristela Cup,
organizada pela Verdes Eventos. O resultado positivo levou a empresa promover o Campeonato Brasileiro, em 1990,
passando a constar no calendário oficial da Confederação Brasileira
de Hipismo (CBH). Desde então, outras entidades, como a Associação Mineira
de Hipismo (Amhir) filiada a Associação Brasileira de Cavaleiros de
Hipismo Rural (ABHIR) aderiram à prática, com campeonatos regulares.
Já no Rio Grande do Sul, entidades como o Núcleo Gaúcho de Cavalos
Árabes aderiram à prova e com sucesso. Foi em uma
dessas iniciativas que o arabista Paulo Pacheco Prates Filho se apaixonou
pelo esporte. A experiência se deu em abril, em uma trilha escolhida
junto ao Morro Santana, em Porto Alegre. Os três filhos de Prates iriam
competir e, só depois de insistirem muito com o pai, ele resolveu colocar
sua égua, a Napharita, de 9 anos, no caminhão. “Depois que descobri
o que é participar de um enduro, pretendo ir a todos que puder”, garante
Prates. Ele conta que a primeira surpresa foi com o local, ainda desconhecido
pela maioria dos porto-alegrenses. O terreno íngreme, com mata nativa
e uma vista privilegiada da cidade, proporcionaram aos participantes
momentos de rara descontração. Prates relata que o primeiro vet-check
- intervalos regulares durante a prova para a recuperação do animal,
tomada de batimentos cardíacos e reposição de eletrólitos, junto a uma
cachoeira, deu o tom da descontração que pode se tornar a competição.
“Eram jovens de 15 anos e casais de várias idades que tinham ali um
único objetivo: desfrutar daquele raro momento de cavalgar em um cenário
espetacular”, relata. Apesar de ser uma competição, Prates salienta
que não há rivalidades para terminar em menor tempo ou ter melhor desempenho.
A largada em dupla e em intervalos curtos possibilita a integração
entre os participantes. A experiência fez com que ele reservasse 5 éguas
para cruzar com um garanhão. “Vou preparar vários deles para outras
competições”, revela. Outra apaixonada
por enduros é Ana Paula Lucas Vieira. Montando desde os 10 anos de idade,
ela descobriu o esporte há cerca de 2 anos e aponta a relação interpessoal
como um dos maiores benefícios. Competindo junto com o marido, ela acredita
que seja o esporte ideal para a família. “É o momento mais saudável
e democrático, onde cada um compete sozinho e, ao mesmo tempo a família
está unida, envolvendo desde a criança até o avô”, salienta, ao lembrar
que o filho Pedro, de 3 anos, já está começando a treinar. Mesmo com a
descontração dos cavaleiros, é interessante que certos cuidados sejam
tomados. Quanto a raça do cavalo,
por exemplo, há o consenso de que o árabe ainda é o melhor a ser escolhido.
Ana Paula acredita que, para longas distâncias, o árabe, anglo-árabe,
ou no mínimo, uma cruza, terá um melhor desempenho. O cavalo mantém
baixo o nível de batimentos cardíacos e a estrutura pulmonar, com uma
caixa toráxica mais desenvolvida, permite maior resistência. “Na maioria
dos enduros, dentro ou fora do país, 80% dos cavalos são árabes”, lembra.
Durante a etapa do Campeonato Mundial, que
aconteceu este ano nos Estados Unidos, os 13 primeiros colocados
eram árabes. Proprietária
de um centro de treinamento e tendo vencido 2 dos 5 enduros que participou na categoria aberta, Ana Paula entende
que época ideal do animal para iniciar exercícios específicos do esporte
é a partir dos 3 anos de idade. “A competição deve ser feita com um
cavalo maduro com tendões, músculos, ligamentos e estrutura óssea bem
formados, o que só é atingido com cerca de 7 anos de idade”, observa.
Tanto o treinamento, como a doma, durante os primeiros 2 ou 3 anos,
devem ser feitos, de preferência, por quem monta. Os exercícios, no
entanto, não se reservam ao cavalo. O cavaleiro também necessita de
preparo físico. Em provas mais longas, que podem chegar até a 100 quilômetros
de extensão, são necessárias sessões de alongamento. É importante,
ainda, prestar a atenção no equipamento. Um bom ferrageamento previne
o cavalo de lesões durante o percurso, já que ele deverá passar por
obstáculos e terrenos irregulares, que podem afetar tanto os cascos,
como a saúde do animal. Ana Paula lembra o uso de sela adequada ao comprimento
e dorso do cavalo, liga e caneleira. O atleta também deve se proteger
com capacete, botas e culote. |