Temporada de Monta na Estância Itapitocai - Indio da Escondida e Indiana da EScondida, ambos melhores exemplares da raça Crioula em 2004 e 2005.

Durante sete meses a partir de outubro, a maioria das raças eqüinas entram na Estação de Monta. Este é um dos períodos em que médicos-veterinários redobram os cuidados com animais. O objetivo é garantir qualidade na reprodução, através de alguns cuidados técnicos indispensáveis, conforme avalia o veterinário Fábio Prates, um dos especialistas na área. A raça Puro Sangue Inglês é a única que foge deste período. A Estação de Monta do Puro Sangue vai de 15 de agosto a 15 de fevereiro e o registro dos potros é feito em primeiro de julho. As demais raças, no entanto, utilizam a primavera e o verão como o período para o acasalamento.
Dentro do método mais tradicional de cobertura, os criadores devem tomar alguns cuidados que antecedem o início da Estação de Monta. Um levantamento da propriedade para saber qual o número de éguas e o número de garanhões disponíveis para o período é fundamental. Os exames sanitários são imprescindíveis. Os garanhões devem ser avaliados através de um exame andrológico, que vai atestar a qualidade do sêmen e dará uma noção ao criador de quantas éguas terão condições de ser cobertas durante a temporada.
As éguas devem passar por exames de ultra-sonografia ou de histopatologia e citopatologia. Estes exames são obrigatórios em éguas que ficaram vazias na última Estação. "É preciso descobrir a causa da não prenhez". A endometrite em éguas é a doença mais comum no caso de útero vazio e se for diagnosticada pode ser tratada em tempo para colocar o animal na Estação de Monta.
O controle folicular também é importante, porque na medida em que se sabe o dia em que a égua está ovulando o produtor pode ter economia de garanhão, evitando desgaste dos animais. Um garanhão saudável pode dar até 4 saltos por dia, embora a média seja de 2 saltos. Cada garanhão pode cobrir, em média de 60 a 100 éguas durante a temporada. Já a égua para entrar no cio deve ter um bom estado nutricional e um útero saudável. Sabendo o dia da ovulação da égua, explica Fábio Prates, o acasalamento pode ser programado com segurança. O controle folicular já está sendo usado pelas raças Cavalo Crioulo e Puro Sangue Inglês.
Para continuar garantindo qualidade durante a Estação de Monta, recomenda-se a Monta Controlada, embora se use muito, no caso do cavalo Crioulo, a monta de campo, onde os animais ficam soltos. A Monta Controlada é feita em bretes, através do controle folicular.
A égua que estiver ovulando é recolhida com o garanhão. Além de poupar os animais, evita-se qualquer tipo de lesão. O controle folicular pode e deve ser feito por veterinários para se obter precisão, embora em algumas propriedades, os administradores é quem fazem este controle. O ideal, ainda segundo Prates tanto no campo como em bretes, é alternar os dias de cobertura.

Inseminação

A inseminação artificial, embora não seja uma regra entre a maioria das raças, tem se mostrado eficiente, conforme afirma o médico veterinário Fábio Prates. Enquanto um cavalo Crioulo pelo método convencional pode cobrir até 100 éguas na temporada, através da inseminação artificial este número pode dobrar para 200 éguas. "Isto representa economia em todos os aspectos", reforça Prates. A inseminação pode ser feita a fresco ou congelada. Quando o processo é a fresco, o sêmen é coletado do garanhão através de uma vagina artificial com temperatura adequada. Cada ejaculação pode fecundar 5 fêmeas. Já a inseminação com sêmen congelado não precisa ser feita imediatamente após a coleta do material, pois existem técnicas especiais para manter o material em perfeito estado de qualidade pelo tempo que for necessário.
A inseminação, além de economizar garanhões, evita doenças sexualmente transmissíveis, aumenta o número de coberturas e é extremamente higiênico.

Transferência

A transferência de embrião é utilizada em caso de éguas que participam de competições e não podem perder tempo com a prenhez. Para manter a qualidade do plantel, depois de coberta pelo garanhão escolhido, o embrião é retirado, com 6 ou 7 dias, e introduzido em outra égua para a gestação. É a chamada mãe de aluguel. Uma égua valorizada para competições pode dar de 4 a 6 crias por ano, sem interromper sua atividade. A técnica de retirada do embrião de 6 a 7 dias tem garantido 85% de prenhez nas mães de aluguel.   

 Reportagem e fotografia: Ana Lúcia S.Teixeira