ESTEIRA ERGOMÉTRICA PARA CAVALOS
UNESPimporta equipamento que permite avaliar previamente a performance do animal para provas esportivas.
Criadores de cavalo de esporte poderão, em breve, contar com o que há de mais avançado em tecnologia para avaliar a performance do seu animal. A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP (Universidade Estadual Paulista), câmpus de Botucatu, importou da Suíça uma esteira de alta velocidade para cavalos que permitirá testar as condições físicas do animal em uma situação similar a de uma prova esportiva. O equipamento, único em todo o País, irá possibilitar também detectar alterações cardio-respiratórias ou lesões no aparelho locomotor que dificilmente poderiam ser percebidas em um exame clínico de rotina. "A partir de 2001, pretendemos emitir certificado atlético para os animais testados na esteira de performance", conta o coordenador do projeto, o médico veterinário Armen Thomassian, professor titular do Departamento de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária, acrescentando que as informações obtidas na avaliação das respostas aos testes de esforço poderão ser usadas para orientar o preparo atlético do animal ou até para avaliar o estado físico do cavalo antes de efetuar sua compra para finalidades esportivas.
Testes minuciosos – Segundo Thomassian, os testes de avaliação de performance são completos e não deixam dúvidas a respeito da capacidade atlética do animal. Ele explica que na esteira o cavalo passa por avaliações cardio-respiratória, circulatória e do aparelho locomotor que mostram como ele responde ao esforço físico e sua capacidade de recuperação. A avaliação é tão minuciosa que a coleta de material para os exames laboratoriais, como a de sangue, por exemplo, pode ser feita durante os exercícios. "Um programa especial de software registra o momento exato e as condições em que foi realizada a coleta, assim como a velocidade e a inclinação da esteira e a duração do exercício", explica Thomassian. Esses dados são posteriormente cruzados com o resultado dos exames e podem indicar, por exemplo, quando e como o animal começa a perder líquido e eletrólitos ou a produzir ácido láctico em excesso, podendo causar esgotamento físico e severas lesões musculares "No caso da avaliação do aparelho locomotor, a esteira permite ainda detectar lesões discretas, possibilitando localizar com exatidão a região afetada e a extensão do problema", acrescenta.
A novidade apresentada pela UNESP também promete revolucionar a Medicina Veterinária esportiva no Brasil. Pesquisadores do Departamento de Cirurgia e Anestesiologia irão usar o equipamento para dar continuidade a uma linha de pesquisa que desde 1995 vem aprimorando as técnicas cirúrgicas usadas para corrigir a Hemiplegia Laringeana, um problema que acomete o nervo laringeo, podendo dificultar seriamente a respiração e acarretar a perda da performance atlética do animal. "Aliando a tecnologia da esteira com a endoscopia, poderemos observar a laringe nas condições de uma prova de corrida", explica Thomassian. A importação da esteira, financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em projeto de auxílio à pesquisa, também vai permitir que a partir de 2001 o departamento abra novos grupos de pesquisa com a participação de outras faculdades e instituições da UNESP ou mesmo de outras universidades.