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O
eqüino, através dos tempos, foi sendo selecionado,
desenvolvido e aprimorado para desempenhar funções cada vez mais específicas.
Atualmente, este animal tornou-se muito mais que simplesmente um meio
de transporte ou de tração – é um atleta completo. E como todo atleta
é submetido à esforços repetitivos, à intenso condicionamento físico e
psicológico e, como conseqüência disso, temos o stress que poderá ocasionar
o aumento da susceptibilidade à doenças e lesões, queda do rendimento
no trabalho e distúrbios comportamentais.
O convívio direto e diário dos eqüinos com o ser humano possibilita
uma melhor observação e monitoração desse stress e, decorrente disso,
a instituição de um programa terapêutico adequado. Para uma performance
elevada, o eqüino deverá receber, entre outros cuidados, uma alimentação
balanceada, com a suplementação de minerais, vitaminas e aminoácidos,
elementos esses, essenciais para manter o animal em equilíbrio.
Uma das formas eficientes de se fazer uma análise para se descobrir se
o animal está em equilíbrio é através da Medicina Biomolecular que, quando
aplicada corretamente aos animais, ajuda a detectar com grande precisão,
o que está em falta e o que está em excesso em um organismo. A partir
disto, pode-se elaborar uma formulação individualizada
onde serão supridos os débitos e removidos os excessos.
Essa terapia tem a grande vantagem de ser preventiva, ou
seja, pode-se fazer uma avaliação de um animal desde a sua fase jovem,
corrigindo suas carências e elaborando um programa direcionado aos objetivos
que se pretende alcançar. Desta forma, pode-se obter um atleta de máxima
performance e alta resistência, um reprodutor com longa vida útil ou uma
matriz de alta eficiência.
Através da análise e
interpretação do mineralograma podemos, também, avaliar a situação das
pastagens do local onde são criados os animais, fazendo as correções necessárias
no solo trazendo benefícios à todo o resto do plantel. Um correto panorama
do que os animais estão absorvendo ou a detecção de minerais tóxicos pode
alertar, precocemente, que tipo de distúrbios poderão ocorrer no criatório
e que implicações eles trarão futuramente. Aliado a tudo isto,
há a economia no momento de elaborar os compostos para a correção
do solo ou da formulação da ração e suplementação mineral.
O material utilizado
para que seja feito o mineralograma é de fácil obtenção, pois são algumas
gramas de pelos coletados, geralmente, na superfície dorsal da orelha,
peito e tábua do pescoço. Utiliza-se preferencialmente essas áreas por
serem ricamente vascularizadas, pois os níveis de minerais no pelo são
aferições dos mesmos que foram confinados ao pedículo piloso por um período
de tempo – às vezes meses ou até anos antes do aparecimento destes no
soro sangüíneo do animal. Este nível de sensibilidade permite o emprego
da Medicina Biomolecular como uma terapêutica preventiva. Outra forma
de análise é através do soro sangüíneo que diferencia-se da análise do
pelo por mostrar um resultado de curto prazo, ou seja, revela os desequilíbrios
mais recentes ocorridos no organismo do animal. Atualmente existem vários
laboratórios no Brasil capacitados a fazer exames em animais e que já
elaboraram tabelas de referência para interpretação dos resultados.
Modernamente se conhecem
várias interações entre os minerais e que tem influência recíproca. Isto
quer dizer que, se um destes elementos estiver em excesso ou em deficiência,
estará influenciando seus antagonistas provocando o desequilíbrio, ou
seja, não adianta estabelecer uma dieta rica em cálcio no caso de baixa
do mesmo, se isso irá ocasionar, por exemplo, baixa nos níveis de magnésio,
o que poderá trazer problemas como irritabilidade, tremores e contrações
musculares, redução do apetite, crescimento retardado entre outros sintomas.
Como exemplo, cito o
caso de uma fêmea da raça crioula, com 1,5 anos e que apresentava um quadro
de ataxia (incoordenação) que é chamado popularmente de “bambeira”. O
animal não conseguia caminhar em linha reta, arrastava as pinças dos membros
posteriores no chão e via-se nitidamente uma atrofia com diminuição da
massa muscular na região do trem posterior do animal.
Este eqüino vinha sendo tratado com as terapêuticas indicadas para
esses quadros, sem a obtenção de resultado algum. Foi então, feita a coleta
de pêlos para a realização do mineralograma. O resultado revelou que,
além de alguns desequilíbrios de minerais essenciais, havia um o aumento
de 100 vezes no nível de manganês presente no organismo deste animal.
Na literatura, o acúmulo de manganês provoca sintomas de parkinsonismo,
caminhar instável, incoordenação motora, entre outros sintomas. Foi feita
a remoção do mineral manganês através de uma técnica chamada de quelação
durante 30 dias. Antes deste período, o animal já encontrava-se com o
caminhar firme e não arrastava mais os membros posteriores. Continuou-se
com uma série de procedimentos dentro da terapêutica e, ao final de 60
dias o animal estava plenamente recuperado, não havendo nenhum indício
de incoordenação. Coletou-se novamente os pêlos para análise e observou-se
que o nível de manganês havia voltado aos patamares normais. Este animal
continuou a desenvolver-se, recuperou a massa muscular através de exercícios
e treinamento vindo, inclusive, a classificar-se em provas e posteriormente
a ter crias. Não houve retorno dos sintomas e, após intensa investigação,
detectou-se que a intoxicação gradual deu-se devido à ingesta de um suplemento
mineral com altos níveis de manganês que foi administrado na desmama,
diariamente, ao animal.
Na prática vem observando-se
nos animais tratados com Medicina Biomolecular, uma mudança surpreendente,
tanto na aparência geral, como também na performance,
aumento da resistência física e às enfermidades. Com todas estas
vantagens, essa terapêutica apresenta-se como mais uma ferramenta útil
no diagnóstico e prevenção dos problemas encontrados na prática clínica
em animais de performance ou de reprodução.
Cristina Regner é médica veterinária, especialista
em medicina biomolecular em eqüinos e criadora de cavalos brasileiro
de hipismo - Fazenda e Haras Mundo Novo.
Foi pioneira no Rio Grande do Sul na aplicação da ortomolecular
em eqüinos.

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