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Formar ou educar? Ultimamente tenho me dedicado a estudos sobre o tema
‘EDUCAÇÃO’. Há muito venho percebendo a estreita relação dos meus estudos
e trabalhos dedicados ao cavalo com esse tema. No caso da educação,
os textos que mais comungam com a minha maneira de pensar e sentir são
os escritos pelo professor Rubem Alves. Lendo-os sinto aquela sensação que nos chega quando alguém nos compreende
e fala sobre coisas que alimentam as esperanças e expectativas vitais
residentes no íntimo. Se alguém me pedisse para citar um desses textos
eu citaria ‘A Escola da Ponte’. Passei anos idealizando
uma escola de formação profissional de cavalariços (continuo fazendo
isso...). Ofereci projetos desse gênero a várias instituições educacionais
públicas e associações de criadores. Nunca consegui compreender os motivos
que até então impossibilitaram a concretização desse trabalho, nos moldes
por mim sugeridos. Em minha peregrinação pelo Brasil eqüestre, sempre
escutei por parte de criadores e adeptos do cavalo relatos sobre a escassez
de profissionais qualificados para fomentar a demanda do setor, assim
como a ausência de trabalhos sistemáticos dirigidos a essa necessidade
por parte de órgãos afins. Formação profissional e
educação são processos geminados, é impossível separá-los. Não há como
desempenharmos de forma consciente e eficiente as nossas funções profissionais
a não ser que sejamos educados para isso. Tenho pensado seriamente em
mudar a terminologia ‘formação profissional’ para ‘educação profissional’,
referindo-me ao trabalho que pretendo continuar realizando. Qual a diferença?
Pelo que tenho compreendido, educação é um processo que sugere a participação
interativa de vontades e predisposições mútuas; uma motivação intrínseca
originada pela necessidade; o investimento de gestos comuns na direção
do mesmo objetivo; a visão compartilhada das possibilidades de crescimento
das partes envolvidas; a busca conjunta de responsabilidades individuais
solidárias; o respeito ao tempo de processamento para obtenção dos resultados. Quais elementos deveriam
estar presentes na ‘educação profissional’ de um cavalariço? O que é
preciso para um homem preencher as qualificações desejáveis de um domador
de cavalos, de um ferrageador, de um equitador, de um tratador, de um
gerente de haras, etc? Qualquer pessoa que possua
o mínimo de intimidade e de conhecimentos sobre o manejo eqüino reconhece
de imediato a impossibilidade de construção dessa ‘educação profissional’
em cursos de curta duração. Para obtermos resultados consistentes precisaremos
modificar concepções equivocadas como, por exemplo, a idéia de que ‘cursos
instantâneos’ são capazes de qualificar o homem para um trabalho competente
com cavalos. O máximo que esses eventos oferecem são informações técnicas
concentradas sobre determinados assuntos, entregues de forma fracionada.
Para educar um profissional
e habilitá-lo ao desempenho de suas funções é preciso tempo de vivência
no exercício das habilidades pretendidas. Para tal, um programa de treinamento
deve ser planejado e executado por instrutores credenciados. A credencial
nesse caso é o conhecimento de causa dos conteúdos abordados, a vocação
para o exercício da função de educador, a responsabilidade diante do
compromisso de propiciar condições favoráveis ao aprendizado, o sentimento
de satisfação experimentado durante a busca dos objetivos propostos.
Prosseguirei levando essa
mensagem àqueles que constituem o universo chamado ‘meio eqüestre’.
Acredito que em algum momento surgirão ouvidos e mãos para receber e
tornar possível a concretização desse ideal. Paulo Guilhon. Hipólogo, Autor dos livros
‘Doma Racional Interativa’ e ‘Ndzinji A Escola Chamada Cavalo’ |